A Mooba começa hoje o projeto “Fica em Casa Moober”, um projeto que conta com a participação de vários especialistas para tirar todas as nossas dúvidas sobre esse momento atual do coronavírus e conseguir nos ajudar à entender melhor a situação. Passarão por aqui psicólogos, nutricionistas, empresários, personal, cinéfilos, economistas e outras especialidades. Para começar conversamos com a doutora Bruna Gambirasio, de 26 anos, médica residente em neurologia no Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. Entenda um pouco dos principais cuidados para a prevenção do coronavírus e como devemos tratar essa doença.

1- Como você vê essa questão do vírus estar se espalhando cada vez mais?

É uma situação preocupante para todos. Para quem pensa que isso não assusta, quem é da área da saúde, assusta sim. É uma situação que nós não vivemos e que nós não fomos ensinados. Nenhum curso médico ensina a lidar com essa situação, tudo é muito novo para todo mundo: para a população, para os profissionais de saúde e todo mundo que está envolvido nessa situação. Esse aumento de casos acaba sendo esperado pela curva que a gente projeta, pelo cálculo que a gente faz sabemos que o coronavírus trabalha da seguinte maneira: 1 paciente doente tem a capacidade de infectar de 2 a 3 pessoas, então colocando isso em gráficos e fazendo as projeções é que a gente vê o aumento de número de casos pelas próximas 2 semanas. 

2- A principal medida protetiva está sendo o isolamento, o quanto isso pode ajudar a não proliferação do vírus?

A proliferação pelo conceito continua a respeito do isolamento. O isolamento é sem dúvida a forma mais inteligente de achatar a curva, ou seja, o número de pessoas infectadas sofrer um atraso. A gente não pode deixar acontecer o pico na incidência de casos, arrastar isso um pouco mais e nós não podemos sobrecarregar o nosso sistema de saúde de uma única vez, a gente sabe que os pacientes com coronavírus podem precisar de leitos de UTI, que chamamos de “leitos nobres”. Não podemos sobrecarregar o sistema com pessoas precisando desses leitos ao mesmo tempo. O isolamento sem dúvidas além dessa questão de achatar a curva é essencial porque 80% dos pacientes são contaminados por pacientes que estão assintomáticos (portadores do vírus assintomáticos), isso é uma informação que recebemos no dia 25/03 de um novo estudo que saiu. Alguns pacientes que portam os vírus até 48h antes deles manifestarem os sintomas da doença já estão transmitindo, então o isolamento é fundamental, tanto para os pacientes doentes, para os pacientes de grupo de risco quanto para os assintomáticos.

3- Quais os principais cuidados que devemos ter para a prevenção do Covid-19?

Sem dúvidas o isolamento, ficar em casa, quem não precisar sair fique em casa. Quem puder continuar com as suas atividades continua em casa, entendemos que nem todo mundo consegue fazer isso, nós mesmos, médicos, não conseguimos mas precisamos tomar todos os cuidados. As máscaras é recomendado para pacientes já sintomáticos. Outras medida de cuidados são: evitar colocar as mãos no rosto, evitar ter contato com boca, nariz e olhos, não dividir objetos pessoais como copos e talheres mesmo com pessoas assintomáticos. Outro fato importante é o uso do álcool em gel, ele pode ser usado somente 3 vezes, usou 3 vezes à partir da quarta vez o ideal é partir para a lavagem de mãos para poder reiniciar o uso do álcool em gel, senão ele não tem mais efeito. Vale lembrar que sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas o ideal é sempre lavá-las.

4- O que o isolamento pode causar de forma negativa na vida das pessoas?

O que vem na mente de todo mundo é o impacto econômico, é o mais imediato e uma coisa que eu mesmo posso sentir. Como usuária de app de transporte vejo as queixas dos motoristas onde o fluxo é menor e acho que isso é o que todo mundo vai conseguir perceber de mais imediato. O que percebo também é uma alteração, um impacto negativo na saúde mental das pessoas com alterações de humor, seja para um humor um pouco mais ansioso, um pouco mais hipo tímico, que seria um pouco mais triste ou apatia maior. Isso acontece porque tem muita gente que fica preocupada e essa preocupação acontece em diversas esferas: preocupação com os familiares, principalmente com os mais idosos, se eles vão conseguir passar por essa pandemia, por exemplo, a gente sabe também, que eles têm a dificuldade de compreender a importância de ficar em casa, essa é uma realidade nas famílias,. Outro ponto é que tem muitas pessoas que estão de home office, se despediram de seus colegas e se perguntam, por exemplo, se vai estar todo mundo de volta ao trabalho depois, ou se vai estar todo mundo bem e até mesmo se irão continuar trabalhando juntos. Além disso tem a mudança de rotina. Cobranças para ter uma alta produtividade, agora você está em casa por mais tempo e com muito tempo livre; então é uma série de mudanças e de inseguranças. Estamos em casa e pedindo para as pessoas ficarem em casa mas até quando? Essa insegurança e tudo o que está acontecendo é muito favorável à essas mudanças de humor que as pessoas podem vir a ter e que está ficando cada vez mais frequente. Para quem não está no isolamento também há o impacto negativo, para nós médicos, enfermeiros, técnicos, todo pessoal que trabalha no hospital que às vezes o pessoal esquece de agradecer como: seguranças, pessoal da limpeza, todo mundo que leva a refeição para os pacientes internados. Todo mundo que está trabalhando ali está em ambiente de insegurança e medo e quando volta para casa não sabe se está contaminando alguém da família, então se torna também um ambiente de muita instabilidade emocional. Algumas dicas que as pessoas que estão em casa podem fazer é otimizar o tempo, criar um cronograma, não se cobrar tanto para ter uma alta produtividade, curtir com quem está na sua casa, usar a tecnologia a seu favor nesse momento. Chega um ponto em que ficar vendo notícia o dia todo só vai te fazer mal, aproveita que a gente tem uma tecnologia fácil para ver filmes e séries, volte a ler aquele livro que você parou a tanto tempo, existem também tantos apps gratuitos para atividades físicas mais relaxantes ou aeróbios. A tecnologia pode ajudar nesse sentido. 

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5- Devemos limpar a casa e objetos que pegamos diariamente de forma diferente? 

O cuidado mais importante é no momento em que você chega em casa. Primeiro de tudo é retirar os sapatos e lavar as mãos. Pode fazer a higienização dos seus sapatos, não esquecer de limpar o celular e a capinha, o ideal é higienizar o celular, depois a capinha do celular para só assim juntar os dois novamente e voltar a usar. Pode retirar a roupa, trocar por uma roupa limpa e toda essa higienização com álcool 70%. A limpeza da casa pode ser feita da mesma forma e o que aconselhamos é manter os ambientes sempre arejados. Deixar bater o sol durante o dia. Em casos de isolamento domiciliar, naqueles casos que não são graves, tudo o que essa pessoa sintomática (tiver com suspeita de coronavírus) tiver contato o ideal é limpar e ela deve ficar em seu quarto. Teve contato com criado mudo, controle da televisão, aí sim é interessante passar álcool 70% em tudo o que a pessoa tiver contato. A título de curiosidade, a superfície que o vírus tem maior resistência é o aço inox e plástico. Estamos falando de uma sobrevida de 5 à 6hs, mas conseguimos matar o vírus também com álcool 70%. As pessoas perguntam se pode usar outros tipos de produtos, o fundamental é o álcool 70%, vamos para o básico pois é o que está funcionando no momento. 

6- Como é transmitido o vírus?

A transmissão é basicamente por contato por aerossóis e gotículas. Os aerossóis são gotículas em tamanho bem menores que não conseguimos enxergar, são aquelas partículas que saem quando a gente espirra e tosse, que a gente não enxerga. Existe uma transmissão através das fezes de pacientes contaminados, porém em termos populacionais isso não faz muito efeito, então não é sobre isso que devemos falar, temos que falar mesmo do cuidado da transmissão respiratória.

7- Quais são os principais sintomas?

Os principais sintomas são: febre definida neste caso medida na axila, igual ou maior à 37°. Existem casos de pacientes que não terão febre e mesmo assim estão contaminados, mas a febre é muito presente. Outro sintomas são os respiratórios: tosse seca ou produtiva, coriza, congestão nasal, dificuldade para respirar, cansaço, fadiga, dores musculares. Dor de garganta, enjoo, vômito e diarréia também podem estar presente. Estudos recentes mostram outros sintomas: perda de paladar e anosmia que é a perda súbita do olfato. São perdas súbitas mas não são quadros graves. Esses sintomas não são usados na triagem de pacientes graves ou com sintomas leves. 

8- Se a pessoa está com algum dos sintomas, como deve prosseguir? Ir ao hospital, analisar, esperar? 

Se o paciente tem os sintomas e está com piora do quadro geral com dificuldade para respirar ou respirando muito rápido aí sim procure um hospital para ser avaliado por um médico e nessa avaliação deve ser visto se tem ou não necessidade de internação. E aí sim quando a gente interna um paciente fazemos a coleta dos exames para avaliar a positividade do Covid-19. Agora pacientes com sintomas como uma gripe, um resfriado mas que estão bem, que tem aquele mal estar, mas sem dificuldade para respirar, o ideal é ficar em casa por 14 dias e não tem problema nenhum em não fazer o exame, pois se você tem sintomas leves isso vai passar depois de 14 dias. É muito mais importante ficar em casa nesse momento ao invés de ir ao hospital e ter contato realmente com pacientes em quadros gravíssimos. Quando temos um paciente sendo orientado a ficar em casa por 14 dias, as recomendações são: esse paciente precisa ficar dentro do quarto dele, com porta fechada e janela aberta durante o dia, para que ele não divida prato, copos, talheres, com nenhum outro membro da família. O ideal, se ele puder, é permanecer dentro do quarto com máscara cirúrgica e passar álcool 70% na superfícies que tiver contato. Mantendo esse paciente sob cuidados durante 14 dias a gente sabe que a eliminação do vírus por ele vai praticamente zerar no 12° dia, então deixamos 14 dias como medida de proteção e para quando ele sair dessa proteção já tem um nível de segurança maior. 

9- Muita gente não tinha o costume de lavar as mãos e passar álcool em gel, o que você acha que vai mudar depois da pandemia em relação à postura das pessoas quanto à limpeza?

O medo tem um grande impacto nas atitudes e nos hábitos de vida diário na população como um todo. Um exemplo, é que em 2010, quando tivemos o surto da gripe suína, muita gente comprou álcool em gel e nem era uma coisa que se via vendendo tanto, mas o pessoal ficou enlouquecido e depois passou. Muita gente vai se esquecer desses hábitos. Parte da população vai conservar os bons hábitos de higiene e se a gente conseguir conscientizar a população com a limpeza do celular acredito que já vai ser fantástico porque, a limpeza das mãos é algo muito importante e lavar as mãos deveria ser algo básico para todo mundo. Algo mais novo é a questão de limpar o celular, ele fica na nossa mão o dia inteiro, é mais sujo que o dinheiro e, por exemplo, jogamos o celular em cima da cama, etc. Então acredito que esse seja um bom hábito para se conseguir após a pandemia. 

10- Principais dicas para as pessoas nesse momento.

Ficar em casa se você puder ficar, principalmente os grupos de risco: maiores de 60 anos, pessoas com comorbidades como pressão alta, diabetes, doenças auto imunes que exijam imunossupressão, doença com sinais crônicos e transplantados. Evitem ir aos hospitais, apenas em caso de necessidade, mas não se esqueçam que se você estiver com dor no peito você pode estar infartando e não é porque estamos com coronavírus que nós vamos deixar de ter infarto, acidente vascular cerebral, por exemplo, e essas condições precisam de ajuda hospitalar. Você precisa procurar um serviço de emergência se sentir algo parecido. Não deixe de lado essas outras questões e fique só pensando no coronavírus. Lembrem-se de cuidar das outras doenças crônicas. Para os pacientes que usam anticoagulantes, que precisam de exames laboratoriais todas as semanas, continuem com as suas rotinas de cuidados de saúde, apenas incorporem essas outras medidas de cuidados com o coronavírus. Não esqueçam do básico. Lembrar que as receitas médicas estão valendo por um período maior por conta da pandemia, estamos aceitando receitas com até 3 meses, então você consegue estender o prazo da sua receita depois que ela venceu por mais 3 meses, podendo comprar remédios na farmácia com a receita de validade expirada. Isso acontece para que as pessoas possam procurar menos os serviços de saúde. Quem puder proteja os idosos, falem com os avós e seu pais pois a mortalidade maior acima de 80 anos vai para 16% sendo que quando a gente fala de uma população de até 49 anos é de 2%.

Para finalizar, a doutora ainda falou sobre o tratamento que está sendo realizado em pacientes com Covid-19. “Sobre o tratamento, hoje o Brasil vai começar a utilizar hidroxicloroquina para pacientes graves que são os pacientes internados. Embora não exista nenhum estudo que confirme a eficácia da medicação, os estudos que nós tivemos não avaliaram a redução de mortalidade, complicações, tempo de hospitalização e não tem uma resposta milagrosa. O tratamento vai ser testado em pacientes internados com quadros graves de coronavírus. Sobre os pacientes que não são internados, não estão com o quadro grave e estão isolados, tomando todos os cuidados descritos acima, não tomem hidroxicloroquina, porque como toda medicação ela não está isenta de efeitos adversos. Existe inclusive contra indicações, doenças crônicas por exemplo, não pode tomar hidroxicloroquina e além disso não se deve comprar uma medicação que não tenha sido indicada por um profissional da saúde. Essa é uma medicação que tem outros fins e que inclusive, um fato importante é: quando saiu a notícia da hidroxicloroquina, vimos esse medicamento em falta nas farmácias. Nós temos pacientes com malária, lúpus, artrite reumatoide, que precisam dessas medicações senão as doenças não ficam sob controle. Em paciente que não está internado não sabemos se há benefícios e você estará sujeito à efeitos adversos sem contar a contraindicação no seu caso. Então o hidroxicloroquina será usado mas dentro dos hospitais.”

A doutora Bruna deixou um recadinho para vocês:

Acompanhe as próximas entrevistas e fique em casa! Vamos te ajudar a passar por esse momento da melhor maneira possível.
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